
Amo filmes sobre a simplicidade da vida. Sobre pequenos prazeres cotidianos e relações humanas.
À La Verticale de l'été se passa em Hanoi, que é um lugar maravilhoso onde chove muito, tem praias paradisíacas e casas lindas, coloridas, de grandes janelas e pé direito alto.
Eles comem o tempo todo e têm uma relação muito legal com a comida. Dá água na boca muitas vezes. São batatas-doces colhidas do quintal e cozidas e devoradas lá mesmo. O arroz, comido pela manhã, sobe pela janela por uma cordinha, enviado pelo dono da loja de baixo. Há refeições sagradas para homenagear os antepassados.
Velvet Underground acorda os protagonistas todas as manhãs. Ao som de "Pale Blue Eyes"e "Coney Island Baby" os irmãos se espreguiçam, praticam tai-chi ou algo parecido aos primeiros raios de sol, cortam as unhas dos pés, comem, brincam, flertam. Tudo bem demoradamente, sem pressa, sem stress.
Também tem Arab Strap, The Married Monk e a trilha asiática composta por composta por Trin Cong Son.
Tudo trilhando perfeitamente o passear na chuva, as brincadeiras com o filho menor, fotografias botânicas, momentos de não-inspiração literal, fantasias sexuais, o pentear dos longos cabelos azulados...
Um filme encantador, com trilha sonora idem. Pura poesia.
Se eu vivesse num sociedade onde o normal fosse acordar de manhã sem pressa com tempo suficiente pra me espreguiçar e me alongar bastante, contemplar o sol e gritar pro tio lá de baixo pra que mande o meu arroz quentinho, certamente também iria acordar com um Velvet Underground bem maneiro. Acho que vou fazer isso assim mesmo.
Aqui você confere uma entrevista bem legal com o diretor, Tran Ahn Hung , que também fez de O Cheiro do Papaia Verde.

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