
Saudades daqueles domingos em que reuníamos amigos em casa para fazer um almoço, abrir um bom vinho e assistir algum filme cabeça.
E eu, que adoro trilhas sonoras para filmes e para minha própria vida, tinha sempre as minhas seleções para ocasiões especiais: seleção para ouvir na banheira, seleção pra transar, seleção pra dormir, seleção pré balada... A mais famosa ficou sendo a seleção "almoço entre amigos". Sempre muito elogiada, conta com scores de filmes e séries que adoro como Amélie Poulan, O Carteiro e o Poeta, Cinema Paradiso, Dexter, Diários de Motocicleta, Bicicletas de BelleVille, Amarcord, entre outros.
Hoje vou falar de Amarcord. Filme exuberante e encantador de Fellini, mostra a Itália dos aos 30, loucuras, bordéis, Mussolini e muitos elementos de outros filmes e da própria vida do Fellini, por se passar na cidade onde ele nasceu e integrar diversos elementos de sua infãncia, mistura cores e imaginação extremamente fértil através d o olhar de um garoto.
Absurdamente perfeitamente trilhado por Nino Rota, tem um dos scores que eu mais gosto de ouvir, principalmente durante agradáveis almoços entre amigos.
Nino Rota é geninho da música, consagradíssimo na Itália, começou a compor ainda criança. Responsável por 11 dos 15 scores de Poderoso Chegfão 2 - trilha premiada pelo Oscar - também trilhou Le Notti Bianche, La Dolce Vita e 8 1/2 (realmente ele encaixa direitinho com Fellini).
Música é mesmo do caralho. Sabe o que é mais curioso? Assisti Amarcord quando era bem pequena, pequena ao ponto de, depois de grande, não lembrar de mais uma cena sequer do filme. Mas nunca esqueci das músicas.
Um dia, tava comendo uma pizza na casa da Tati e ela colocou Amarcord, a música, pra tocar. Mil lembranças da minha infância voltaram aos meus olhos e pensava em nado sincronizado, Chanel n. 5, mulheres de chapéu em bailes no navio, até cenas do seriado Ilha da Fantasia(aquele do Tatu, lembra?) surgiam à minha frente. No dia seguinte tava lá, eu, vendo o filme de novo. Puro deleite.
Música é como cheiro: traz lembranças até do que a gente não viveu.

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