
Assisti esse filme duas vezes e nas duas uma frase ficou na minha cabeça: "Por que o amor não é suficiente?". A personagem da Natalie Portman pergunta isso pro personagem do Jude Law na última vez em que eles se separam (ele se vai, na verdade). Isso me doeu tanto porque eu sempre pensei que "fundamental é mesmo o amor", mas de uma hora pra outra, o amor se transforma em mil e uma outras coisas e, mesmo sendo fundamental não é suficiente.
Um tempo atrás falei muito sobre o amor numa postagem sobre o filme Juno. É tão bom ter alguém que te faz pensar que fundamental é mesmo amor, alguém que te faz pensar que vocês dois são os personagens principais da sua história e que tudo e todos ao redor são o enredo e o cenário da história cujo curso são vocês que decidem e vai ter sempre um final feliz se houver amor, mas infelizmente não é bem assim. Às vezes só o amor não basta. Não basta porque o amor que a gente sente por nós mesmos tem que ser maior. Senão a gente vive dando o que não tem e pedindo o que não podem te dar.
Um amigo caiu do céu dia desses na minha cabeça e me fez voltar a pensar em coisas que eu estava empurrando pra baixo do tapete. Coisas que não têm explicação mas que não se pode deixar de pensar. Qual a medida do amor? Dá pra saber se há amor o suficiente para um relacionamento durar pra sempre? Pode um relacionamento durar pra sempre? As pessoas que envelhecem juntas apenas se acostumam umas às outras? Por que a gente não quer mais estar com alguém insubstituivel? Por que a gente prefere ficar sozinho à estar com a pessoa perfeita? Por que partir se ainda existe amor? Por que o amor não é suficiente? Por que só o amor não traz felicidade? E a pior das perguntas: por que não há explicação para todas essas perguntas?
Eu procuro encontrar consolo mais uma vez na máxima taoista de que nada é absolto. Que só há evolução no caos. Porque só pode ser uma grande necesidade de crescimento pra me fazer acreditar que tudo pode ser ainda melhor, mesmo que pra isso a casa caia.
Não basta amar: tem que saber amar. Tem que saber que você é a pessoa mais importante da sua própria vida e não relevar tanto tanto seu amor próprio em detrimento das necessidades do outro. O ser humano é um poço sem fundo e é assim porque tem fome. Tem fome do buraco de onde veio, do ventre da mãe insubstituível e tem fome porque a existência parece ser um fardo a ser carregado. Essa fome causada pelo abandono que é o nascimento existe porque a gente vive cercado de medo, de culpa e de apego. Medo de ficar sozinho, culpa por deixar a nossa felicidade sob a responsabilidade de outra pessoa e apego pelo outro em detrimento da nossa liberdade individual.
Eu tenho que entrar no mais profundo do meu ser pra enxergar o que só se pode ver na escuridão: meu próprio eu, que há tanto tempo se perdeu tentando se encontrar. Enquanto isso, eu vivo de luto, porque ainda não consegui transgredir o limite da mudança. Não consegui ainda aceitar que o que eu mesma escolhi deixar pra trás tem que ficar lá atrás e o agora é o dia mais importante da minha vida. Ainda não assumi que eu sou e estou aqui e agora. Mas esse dia vai chegar em breve. Preciso primeiro me livrar do medo, da culpa e do apego pra me sentir menos abandonada por mim mesma e fechar minha Gestalt.
Pra ouvir, nada de Damien Rice. fico com o Nando Reis, que descreve tão bem os sentimentos.
"Tornar o amor real é expulsá-lo de você pra que ele possa ser de alguém"

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