
Assisti esse filme no final do ano passado, numa fase difícil com mil e uma mudanças me assombrando e tava sensível pra caramba.
Foi bacana porque é um filme sobre relacionamentos, sobre o passar do tempo, sobre escolhas. Coisas que eu estava vivendo, no meu processo de mudanças, naquele momento.
Fala de um casal cujo relacionamento parece abalado pela intimidade da rotina que faz a gente esquecer que o outro tem um brilho no olhar que não pode morrer. Faz a gente esquecer que o respeito está nas pequenas coisas e o bem querer, o carinho e a gentileza também. Faz a gente esquecer que o mundo tá cheio de oportunidades, tá cheio daqueles que ainda enxergam o brilho que a gente tem no olhar, mesmo num olhar de ressaca, mesmo num olhar mareado, um riscado por um grão de sal.
E a mocinha do casal se vê no último lugar onde ela esperava encontrar outros tantos casais, feitos, desfeitos ou simplesmente pessoas à procura de amor, de emoção, de sexo, de parceria ou qualquer outra coisa que preencha a lacuna que o tempo um dia vai deixar ou já em todos nós: a solidão.
E o baile da saudade é simplesmente a vida pulsando por todos os poros, em lembranças, em afagos, em declarações de amor e de ódio, em confissões, em doenças, em máguas, em pesares, arrependimentos, desalentos, paixões avassaladoras, sorrisos, galanteios, furacões de emoção e a plenitude do amor.
Este é um filme dirigido por Laís Bodanzky, que também fez Bicho de Sete Cabças (cuja trilha também é ótima - ainda vou comentar) que me aqueceu o coração e me encheu de vontade de me matricular em aulas de dança de salão.
A trilha é tão bacana que foi lançada antes do filme pra já ir esquentando a galera. O roteirista Luiz Bolognesi conta também que primeiro trilhou o filme e depois foi pensar no elenco, na cenografia e tal.
A trilha ficou por conta do produtor musicalBiD, que fez uma longa pesquisa de campo pra saber o que o pessoal da terceira idade dança nesses clubes e descobriu que o repertório além de amplo é bem atual, como dá pra conferir no filme.
O toque de midas fica por conta das participações fundamentais de Elza Soares e Marku Ribas como cantores da banda Luar de Prata, arrasando em versões de "Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme", "Mulheres", "Você Não Vale Nada", "Cha Cha Cha" e por aí vai.
Tem samba, bolero, forró, gafieira, soltinho, samba-rock, salsa e tango pra ninguém ficar parado. Tudo isso embalando histórias e flash backs do personagens que fazem da mocinha uma espectadora da vida como ela é e a faz acreditar que a vida como ela é é ainda muito mais do que ela pode ser.
É sério: se joga nessa e não vai se arrepender.

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