
Então, primeiro eu tenho que agradecer a Rosana Campos Prado Morel Bertolini pela dica incrível. É que desde criança a gente pira em animações de massinha e logo que ela assistiu ela veio me contar e ficavba perguntando: já viu Mary and Max? Já viu Mary and Max?
Rô, vi ontem e me apaixonei!
Adoro quando as pessoas assistem algum filme ou coisa do tipo e vêm me falar pra ver porque eu vou amar, porque é a minha cara e tal. Aí mostram o trailer, falam da trilha, que eu tenho que ver por tudo que é mais sagrado. Porque eu crio uma expectativa que eu adoro, aquela coisa de ficar olhando no utorrent pra ver quantos % faltam pra eu assistir, vou lá comprar pipoca e tal.
Enfim, bora lá.
Mary and Max é uma animação feita prinecipalmente com massinha que inunda o olhar pelos detalhes e cores. Todo em sépia e PB, que eu amo, ele é todo redondinho: também pelas formas, claro, mas quero dizer que é 10 em tudo: no enredo, nos personagens, na trilha, na galera que dublou, tudo. (pode por dois pontos duas vezes na mesma frase? como eu acho que pode tudo e nunca reviso os textos deste blog, foda-se).
Então, vamos por partes.
Mary é uma garotinha australiana de oito anos sem amigos, sem carinho, com a auto estima quase zero, sem a presença dos pais (estão lá mas estão sempre ausentes: a mãe uma alcóolatra estúpida, o pai um funcionário de linha de produção frustrado e deprimido). Como não tem amigos (além do galo, claro) mas tem uma mente incrivelmente criativa e astuta e precisa dividir com alguém o que se passa nessa cabecinha, com a desculpa de querer saber de onde vêm os bebê do outro lado do mundo, resolve escrever para Max (encontrado aleatoriamente numa lista telefônica) e começa uma longa amizade platônica.
Max é um judeu não ortodoxo norte americano, obeso, sem amigos (além dos peixinhos dourados, claro) e com Síndrome de Asperger, que é uma coisa tipo um autismo/sociopatia/bipolaridade (falando toscamente) que justifica seu comportamento que varia entre essas três coisas.
Quem dubla os personagens principais são Phillip Seymour Hoffman e Tony Collette, que eu já amo por princípio e dão o tom exato de emoção aos personagens. Muitas palmas e manifestações ululantes pra eles, por favor.
Está longe de ser uma animação bobinha pra crianças sobre amigos de lugares distintos no mundo que passa a vida a compartilhar suas desventuras através de cartas.
O jeito como eles abordam questões como o sexo, o alcoolismo, a confiança, as doenças mentais, o suicídio, a superação, a exclusão, a indiferença, a religiosidade,os relacionamentos é pra rir e chorar sem ficar pesado ou chato, falando de coisas que permeiam o mundo dos adultos e das crianças pelo ponto de vista dos personagens, claro, mas que facilmente nos coloca no lugar deles e certamente toca a cada um de nós de alguma forma.
A trilha, que na verdade é um score de melodias belíssimas é de um cara chamado Dale Cornelius e caiu como uma luva bem macia em cada uma das cenas. Acho que desenhos e animações com trilha instrumental rica em pianos é sempre incrível e emocionante.
Não conhecia o Dale Cornelius até Mary and Max nem achei ainda a OST pra baixar, mas tem esse site dele, bacaninha, onde dá pra curtir suas composições e pesquisar mais.
Então, lenço de papel ninóis, porque o que seria de nós, humanos, se não fosse essa incrível capacidade de nos emocionarmos? Certamente seríamos menos humanos. E o pulso ainda pulsa.

Nenhum comentário:
Postar um comentário