
Então, é que seria trágico se não fosse cômico.
Além da trilha sonora espetacular, que já comento, Correndo Com Tesouras é um dos filmes mais bacanas que eu já assisti.
Bem do jeito que eu gosto: famílias excêntricas, pessoas confusas, dramas homossexuais, disco music, gente completamente louca, psiquiatras insanos, drogas, anos 70, confusão... um prato cheio pra mim.
Quando eu disse que seria trágico se não fosse cômico é porque não se trata de uma comédia, como muitos críticos disseram na época. É um puta drama do caralho.
Estamos falando de um garoto cujos pais abandonaram no seio da família mais excêntrica da face da terra, os Fich. Foi assim, o pai alcoólatra, lindamente interpretado por Alec Baldwin, não sabe mais com lidar com sua alucinada esposa (juro, eu daria todos os prêmios de interpretação para Annette Bening), poetisa sem um único livro publicado que fez de seu filhouma criança fora do normal (não, não vamos discutir o que é normal senão não vou parar de escrever nunca mais em toda a minha vida). Ela pira e vai fazer terapia com Dr. Finch, psicólogo típico de uma geração de psicólogos surgidos nessa época: mente abertíssima pra tudo o que for possível, abraça todas as terapias mais subversivas, louco de pedra e que mantém uma família absurda composta também por filhos de pacientes que precisaram ser internados.
É nessa onda que Augusten vai parar na casa dos Finch, completamente abandonado pela mã que já não pode mais falar por si pois já vive em seu universo particular dominado hora pela bipolaridade ora pela paulada que é o efeito dos fortíssimos medicamentos ministrados pelo Dr. Fich, das quais ela se torna totalmente dependente (aquelas coisas da época tipo Valium, saca?).
E Augusten é um cara demais, com uma mente incrível e mesmo sofrendo lida de uma forma belíssima com toda a situação pra lá de alucinante.
Beleza.
Agora a trilha.
Chamar essa trilha de sensacional é fazer pouco caso dela. O lance todo começa em 1971 e beira os 80's. A trilha reflete todo um comportamento não só daquela geração mas dos próprios personagens. Tem uma cena ótema do Auguste com a "irmã"sádica arregaçando o teto da cozinha meio que pra contestar a total liberdade que permeia a educação que o "pai " Finch quer dar à eles ao som de uma das músicas que eu mais gosto no mundo que é Year of The Cat do All Stewart, tem average White band com uma das disco music mais delícia pra dançar depois do almoço Pic Up The Pieces, tem Elton John com sua formidável Bennie And The Jets, tem a gracinha-demais Catherine Feeny com Mr. Blue e por aí vai (listei minhas preferidas mas tem muita coisa bacana).
E é isso aí. Quer uma dica? Sizoga. Filmão, trilha idem. APOSTO que você não vai se arrepender.
Beijomescreve.

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