domingo

THE BIG LEBOWSKI



Tem tanto tempo que eu quero falar dessa OST, mas sabe como eu, meu drama com os Coem: a dificuldade de falar de coisas nonsense sem parecer punheta intelectual, mas tenho ouvido tanto e falado tanto desse filme ultimamente (pessoas em comum asistindo, gravei pra uma pá de gente e virou assunto de novo) que acho que agora vai ser mais fácil.

Pra começar que o Dude é aquele anti-herói que acaba virando seu herói justamente por isso. O cara é o MAIS figura. O cara não faz mais nada da vida a não ser curtí-la à sua maneira: jogando boliche com seus amigos igualmente figuras (o esquentadinho traumático de guerra Walter me fez rolar de rir inúmeras vezes), fumando um quando e onde quer que seja, curtindo seu apê com banhos de banheira à luz de velas e tomando uma birita.

Só que o cara se fode quando descobre que um homônimo seu é um baita de truqueiro, envolvido em mil tretas e sangue ruim pra caralho. Aí ele se envolve numa onde de sequestros, subornos, mulheres, polícia, pancadaria, alucinações e por aí vai.

É divertidíssimo como eles criam as cenas de quando dude leva um coro ou chapa a cuca de alguma coisa. Ele sempre entra numa piração de que tá voando em cenários psicodélicos, mil mulheres, um barato. Bem a cabeça viajandona dele mesmo.

E o som, dude, o som é demais. Tem o som que o próprio Dude ouve, tipo Creedance, Bob Dylan (The Man in Me, que abre o filme), essa coisa toda hippie que é ducaralho. Tem a cena do escroto do Jesus no boliche e sua dancinha formidável ao som da melhor versão de Hotel California que é a transloucada dos Gipsy Kings (vai o vídeo aí embaixo pra dar aquela vontade de assitir o filme todo), a maravilhosa Dead Flower ultra country e que eu adorei com Townes Van Zandt, tem uma ótima do Elvis Costelo. As instrumentais também são muito boas, tipo Stamping Ground, tem minha indiscutível Nina Simone e as transloucadas Ataypura (Yma Sumac, tá ligado?) e Meredith Monk gemendo gostoso em Walking Song. Tipo, tem de um tudo.

Vai lá e depois me conta.



Running with Scissors


Então, é que seria trágico se não fosse cômico.

Além da trilha sonora espetacular, que já comento, Correndo Com Tesouras é um dos filmes mais bacanas que eu já assisti.

Bem do jeito que eu gosto: famílias excêntricas, pessoas confusas, dramas homossexuais, disco music, gente completamente louca, psiquiatras insanos, drogas, anos 70, confusão... um prato cheio pra mim.

Quando eu disse que seria trágico se não fosse cômico é porque não se trata de uma comédia, como muitos críticos disseram na época. É um puta drama do caralho.

Estamos falando de um garoto cujos pais abandonaram no seio da família mais excêntrica da face da terra, os Fich. Foi assim, o pai alcoólatra, lindamente interpretado por Alec Baldwin, não sabe mais com lidar com sua alucinada esposa (juro, eu daria todos os prêmios de interpretação para Annette Bening), poetisa sem um único livro publicado que fez de seu filhouma criança fora do normal (não, não vamos discutir o que é normal senão não vou parar de escrever nunca mais em toda a minha vida). Ela pira e vai fazer terapia com Dr. Finch, psicólogo típico de uma geração de psicólogos surgidos nessa época: mente abertíssima pra tudo o que for possível, abraça todas as terapias mais subversivas, louco de pedra e que mantém uma família absurda composta também por filhos de pacientes que precisaram ser internados.

É nessa onda que Augusten vai parar na casa dos Finch, completamente abandonado pela mã que já não pode mais falar por si pois já vive em seu universo particular dominado hora pela bipolaridade ora pela paulada que é o efeito dos fortíssimos medicamentos ministrados pelo Dr. Fich, das quais ela se torna totalmente dependente (aquelas coisas da época tipo Valium, saca?).

E Augusten é um cara demais, com uma mente incrível e mesmo sofrendo lida de uma forma belíssima com toda a situação pra lá de alucinante.

Beleza.

Agora a trilha.

Chamar essa trilha de sensacional é fazer pouco caso dela. O lance todo começa em 1971 e beira os 80's. A trilha reflete todo um comportamento não só daquela geração mas dos próprios personagens. Tem uma cena ótema do Auguste com a "irmã"sádica arregaçando o teto da cozinha meio que pra contestar a total liberdade que permeia a educação que o "pai " Finch quer dar à eles ao som de uma das músicas que eu mais gosto no mundo que é Year of The Cat do All Stewart, tem average White band com uma das disco music mais delícia pra dançar depois do almoço Pic Up The Pieces, tem Elton John com sua formidável Bennie And The Jets, tem a gracinha-demais Catherine Feeny com Mr. Blue e por aí vai (listei minhas preferidas mas tem muita coisa bacana).

E é isso aí. Quer uma dica? Sizoga. Filmão, trilha idem. APOSTO que você não vai se arrepender.

Beijomescreve.




Um Homen Sério





Eu não ia escrever sobre esse filme se não tivesse me encantado com a trilha enquanto assistia. Porque não é fácil falar de algum filme dos Coen. Não é que seja complexo, é nonsense mesmo.
E as vezes dá preguiça justificar o porque de gostar de algo nonsense, mas bora lá.

Apesar de ter visto vários filmes dos Coen, nunca havia baixado nenhuma trilha. Assisti Um Homen Sério esses dias e durante o filme dei uma pausa e já pus pra baixar.

E o filme é demais também. Sempre, né. Adoro esse lance deles falarem das pessoas que se fodem grande. Pense numa merda bem grande da sua vida. Eles adoram falar sobre isso.

Larry Gopnik, absurdamente bem interpretado por Michael Stuhlbarg, é um judeu passando por um momento de Jó. Tá tudo muito, mas muito foda na vida dele e ele começa a se perguntar o porque de tudo isso. O humor negro é o tempero e a forma como a questão da fé, da cultura, das tradições é demais.

A mulher dele pedindo o divórcio porque vai casar com um amigo deles recém viúvo e ele nem imaginava, o filho é um maconheiro prestes a fazer barmitzva ( e que é tipo hilário), a vizinha gostosa que faz topless no quintal e tem um marido ogro, alguém o difamando por cartas ao reitor da faculdade enquanto ele espera uma promoção, o irmão pirado e por aí vai.

Acho demais uma hora que o pai de um aluno que tava propondo um suborno pra não perder a bolsa da faculdade vai falar com ele, que não quer aceitar o dinheiro. Aí o cara fala: "aceite o mistério'. É demais isso pq o Larry tá naquelas de falar com os rabinos pra entender e achar uma explicaçào pro porque de tanta merda na vida dele. Essa coisa de se voltar pro desconhecido pra justificar algo conhecido e procurar culpados em tudo, até em si.

Ah, é. A trilha. Viu como é foda escrever sobre coisas nonsense?

Então, a trilha é de um cara chamado Carter Burwell. E esse cara trilhou todos os filmes dos Coen. É um score, na verdade, né. Um score magnífico, aliás, muito mesmo. Carter Burwell também trilhou Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto (aaamo esse filme), umas músicas do Crepúsculo, Velvet Goldmine, Adaptação... Acho que já falei dele em algum outro post, né? Qual foi?
Ah, e tem Jefferson Airplane em uma música que eu adoro chamada Today.

Enfim. Adorei tudo.

Como eu sempre digo: veja, ouça e bom proveito.


quarta-feira

Me and You and Everyone We Know




Sabe aquele filme que te deixa de cara 100% do tempo? Então.


Miranda July, atriz, diretora e artista plástica fez algo realmente justo. Mostrou faces dos relacionamentos e cotidianos de pessoas comuns, como eu e você, em situações (sim!) comuns, pelas quais eu ou você passaríamos mas costumamos dizer que não ou nem dizer.


Nem sei o que escrever, na verdade. To aqui um tempo já, tentando pensar em alguma coisa, pq a cada cena que eu lembro fico tentando traduzir e não consigo. Tudo é conceito e anti-conceito. Aí não dá, senão vira tese ou papo de intelectualóide artístico e pra isso eu não levo jeito.


Então eu vou fazer assim, vou falar que é um filme totalmente ímpar, a trilha sonora é muito boa, muito diferente do comum, aliás, o filme todo sai do comum, tanto que muita gente acha que é de mau gosto, mas isso é só uma forma de negar o que é tão comum que está dentro de você.


Não entendeu nada, né?


Veja o filme e ouça a trilha, que é do mesmo cara que trilhou o Donnie Darko (dá uma fuçada aí no blog que tem post desse filme) e tem coisas incríveis que eu confesso nunca ter ouvido antes.


Falei tudo e não falei nada. Odeio quando isso acontece. Mas, enfim, acontece.




))<>(( FOREVER

FUR - An Imaginary Portrait of Diane Arbus

Esse é o tipo de filme que quando acaba eu faço uma pausa pro cigarro, aperto o play e vejo de novo.

Absolutamente encantador em todos os sentidos. A começar pelo fato de ser sobre Diane Arbus, fotógrafa que sempre admirei, e pela minha já confessa paixão pelo bizarro. Mesmo sendo uma elocubração sobre o que teria inspirado Diane a abandonar sua vida morna e se lançar em clicar um universo cuja beleza está nos olhos de raros. O filme é baseado na biografia assinada por Patricia Bosworth.


Nicole Kidman está mais uma vez fabulosa, mas espetacular mesmo é a interpretação de Robert Downey Jr. , coberto por longos pelos no corpo inteiro, transmite no olhar toda a riqueza, estranheza, encanto, paixão e curiosidade de seu personagem. Falando sério? Eu também me apaixonaria por ele exatamente daquele jeito.

De roteiro muito bem escrito, o desenvolver dos elementos simbólicos que surgem ao longo do filme é bem marcado. O marido deixando a barba crescer quando percebe que está prestes à perdê-la para Lionel, o lance de Lionel sobreviver fazendo perucas de seus próprios pêlos (e mesmo seu nome), o casaco que ele faz para Diane, a forma como ele parte...

No caso de FUR, a trilha é um Score. E, olha, um score incrível. Composta por Carter Burwell, que trilhou os filmes dos irmãos Coen, Velvet Goldmine, Adaptação, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto e outros.

As músicas Têm toda a sofisticação e o mistério que envolvem o mundo bizarro de Lionel. a música de Diane oiuvia pela calefação, antes de conhecê-lo, ficou na minha cabeça por vários dias, como um fluxo de ondas a me hipnotizar.

A cenografia também é demais. O apartamento de Lionel é incrível. As cores me dão vontade de ver o mundo assim o tempo inteiro. A cena do mar, quele azul por todos os lados, dá pra sentir o vento. O figurino é de matar (eu teria todos os vestido da Diane)...

Enfim, amei tudo. Tesourinho.




500 Days of Summer




Se eu pudesse mudar a trilha sonora desse filme não tiraria nenhuma música do lugar.

Nenhum outro filme fez uma cena de karaoke mais bacana do que a da fofa master, a Summer do filme, cantando Nancy sinatra com sua dancinha linda e seus enormes olhos azuis. Se eu estivesse lá naquele momento, certamente estaria com a mesma cara boba do Tom, outro fofo, bebinho e cambaleante no Pixies que não podia ser música mais apropriada.

E tudo o que toca é bom de ouvir.

Tem outra versão de Here comes Your Man, pela Meagan Smith, que ficou deliciosa.

Sobre Smiths, que eu amo demais, não preciso nem falar. A cena do elevador fala por si. E depois, na versão de She and Hin, tão gostosamente melancólica quanto os próprios-

E aquilo, né: Black Lips no rocabilizinho delícia, Regina Spector, fofura total no comecinho do filme e no meio também em cenas da mais profunda docura e tristeza, The Doves que é aquela coisa súper preguiça que eu sempre ponho pra ouvir numa tarde de domingo, Carla Bruni cantando que mais parece que tá comendo um creme bem docinho, na cama, depois de tranzar. Hall and Oats na magnífica cena do Tom todo feliz depois da primeira noite com Summer, como se o mundo inteiro compartilhasse da sua felicidade explícita. Tem Feist na sua famosa Mushaboon e Kevin Michael, pra fechar com chave de ouro no melhor da balada-de-salão-pra-dançar-de-rosto-colado.

Mas é impossível falar só da trilha porque é impossível não se apaixonar por esse filme.

Fiquei pensando que a Summer é muito como os outros me vêem: independente, corajosa, segura, aberta, desapegada. No fundo eu SOU assim, mas muitas vezes ESTOU totalmente Tom: boba, romântica, insegura e tímida. As melhores fases da minha vida são quando estou SummerTom: um pouco de cada e na medida certa. Bom mesmo é o equilíbrio, sempre. Já fui Summer e já tive uma Summer também, então falo com propriedade: uma Summer precisa de outra Summer porque se tiver um Tom, ah, ele vai sofrer. Também já fui súper Tom e já tive um Tom também e, com a mesma propriedade eu digo: tudo o que falta num Tom é perceber e acreditar que ele é muito mais.

Mas a maior lição do filme (sim, filmes bobos para meninas românticas também têm algo a dizer!)veio nas palavras da irmã do Tom: seu relacionamento não pode ser medido apenas pelos momentos bons. Tudo tem que ir pra balança e, quando for a hora, você tem que aceitar que tem que cair fora e se fortalecer novamente.


Marie Antoinette







Descrevi em cinco linhas minhas impressões e apreciações por esta trilha e pelo filme num num post antigo sobre a Copolla filha, mas no início do ano fiz uma pesquisa mais elaborada para um evento no Dona Teresa (sim, o bar bacanão da família) e quero agora justificar com mais amor minha paixão por esta seleção musical.



Vou começar pela escolha das músicas, que não podia ser melhor. Sofia conta sempre com o bom gosto do amigo Brian Reitzell, do meu queridinho AIR (que trilhou todo o Virgens Suicidas, primeiro filme da Sophia, e fez disso um álbum completo e homônimo da banda).


Trilha totalmente 80's, até o que não é parece ser. Traduz a juventude, o tédio e a loucura que foram o reinado da excêntrica Marie. O tema de abertura, Hong Kong Garden, é de uma fase da Siouxie (ainda com os Banshees) que eu adoro demais, súper menina, menos sombria, não que eu não curta as darks, adoro a Siouxie de qualquer jeito.


Descobri muitas coisas bacanas por essa trilha e virei fã. Bow Wow Wow, súper gritinhos de meninas rockeiras do pós punk é demais - você vai lembrar da música que toca quando Marie e as amigas se acabam em doces maravilhosos, champagne e muitas provas de roipas e sapatos em eternas tardes ensolaradas. Adan and The Ants e seu rocabili anos 80 faz a festa aqui em casa e Radio Dept. , que agora mora pro resto da vida no meu coração e é a coisa mais atual e ao mesmo tempo mais 80's que eu já ouvi em deliciosas baladas cheias daqueles twuiiiins de sintetizador que eu amo.


New Order entra - e não podia faltar - com minha música preferida, Cerimony, numa parte do filme que eu adoro que é o baile de máscaras - Kirten Dunt está ma-ra-vi-lho-sa, toda de preto (que demais aqueel tule preto sobre os olhos) e é nessa festa que Marie conhece seu grande amor.


E tem Strokes, The Cure, Patricia Mabee (nas sonatas), Squarepusher, que misturados às belíssimas composições clássicas fazem de arie Antoinette um filme tão único que, com um repertório tão moderno (mesmo no que foi moderno um tempo atrás) consegue mostras exatamente o que a Copollinha quis: o reinado de um país por um casal tão jovem que viu o tempo passar antes da hora.






domingo

Edward Mãos de Tesoura




Tim Burton também tem seu tesourinho pra trilhar seus filmes. O Nome dele É Danny Elfman.

O moço tem brilho. Suas composições, tão oníricas quanto os filmes que trilha, nos levam aos braços de anjos rumo aos céus e às trevas. Pura magia, caixinha de música onde a bailarina sempre dança sozinha, uma taça de cristal repleta de lágrimas e outra, de veneno.

Ele é o cara do Oingo Boingo, veja só. Influenciado por Nino Rota, outro dos meus tesourinhos, ele trilhou TODOS os filmes do Tim Burton, entre outros e séries de TV.

Das trilhas do Tim, as que mais gosto são Peixe Grande, A Lenda do Cavaleiro sem cabeça e Edward Mãos de Tesoura, minha preferida.

Esse filme é de uma beleza que dói. cada tomada, cada biquinho que o Edward faz, são de partir o coração. Meio gente, meio tesouras, ele é puro amor e inocência. Parece uns meninos que eu conheci no Madame Satã.

Sempre fui admiradora da beleza estranha, do manco, do dente torto, da cicatriz, do tímido. Edward chega a ser pueril em suas lembranças, sua forma de amar e querer agradar. O amor pelo pai e a dor por sua morte fazem dele tão ou mais humano que todos nós. Tem aquele buraco que nenhum ser humano irá preencher: o buraco causado pelo abandono. Porque a gente nasceu pra ter carência já que aqueles que nos puseram no mundo não nos disseram que seria assim. Ninhuém devia nascer pensando que um dia pertenceu ou pertence ou pertencerá a alguém. O ser humano é um ser do mundo. A gente nasce e morre sozinho e esse devia ser o maior orgulho de viver, que só tem consciência aqueles que entendem que a pessoa mais importante da nossa vida somos nós mesmos.

Eu não sou eu, não sou teu e nem sou meu. Sou do mundo, que me acolhe e me estapeia. Do mundo, que me dá gosto e desgosto. E é assim que tem que ser porque nada é absoluto. O prêmio é voltar pra casinha sãos e salvos e lembrar que não há melhor lugar que o nosso lar, o lar interior, dentro do peito, dancing with myself.

Mas ter sempre alguém por perto é fundamental, sem posse, porque isso não é dependência, é alimento pra alma. cercar-se de quem é o bem e te quer bem é o maior e o melhor alimento pra alma. e tenho dito.

Edward, querido, bem vindo à vida real. Mas não fica sozinho não. Alguém vai gostar de você exatamente como você é. Mesmo que seja eu.





Quase Famosos




Que bom que essa trilha acabou de chegar aqui, no meu Toshibão.


Não haveria melhor momento para escutá-la. Dia nublado, chove lá fora e eu aqui, me chama, me chama, me chama...

Tem vezes que eu preciso do ar da graça dos 70's. Adoro ouvir músicas que eu ouvia em casa, que meus pais botavam na vitrola num dia chuvoso.

Quase Famosos, o filme, assisti faz tempo. Com meu pai, aliás. O doidão. Delícia de filme.

Adoro o Cameron Crowe e ele adora retratar gerações e os comportamentos e canções que envolvem suas tribos. Foi assim em Singles e, se você pensar bem, em Vanilla Sky também.

Eu tava aqui, agora que aquela maldita dor de cabeça passou, enfiada na leitura de coisas do Freud, teorias da personalidade e afins, o nariz já marcado pelo óculos, ouvindo Sophia Malman (que também é perfeita nos dias de outono-pq se for no inverno dá pra cortar os pulsos) e pensei: cara, preciso de uma pausa. Que será que chegaram as músicas que botei pra baixar?

Tava fuçando torrents de trilhas e, sem querer, vi a de Always Famous e dei um enter.

Porra, que delícia!

Lembrei súper do filme, que fala do jornalista mirim que é recrutado pela Rolling Stones pra fazer uma matéria da banda de rock top do momento. E tem aquela coisa de moleque conheccendo o mundo, a música, as drogas, as garotas, os dramas e as belezas da vida na estrada, sem rumo, sem dono. Ah, os 70's, né. Aquela coisa.

Mas ouvir a trilha hoje foi tão gostoso quanto quando eu tinha uns 15 anos e queria sentir a sensação do que é bucólico, do que é solidão, do que é o conforto da solidão. E passava uma tarde inteira de outono sentada na escadaria do Teatro Municipal, com minhas calças rasgadas e minha camisa xadrez fumando cigarro e observando tudo, sempre observando, naquele cenário cinza que é o centro de sÃo Paulo, principalmente no outono.

E hoje eu acordei e pensei que esses dias me senti como uma adolescente boba, quando vi ele na frente do bar, sexta-feira agora, e não soube o que fazer. Aquele cheiro atrás da orelha, o abraço, o beijo na trave e o sorriso que me deixou totalmente desconcertada, morrendo de vergonha porque minhas pernas tremiam e eu não queria que ele percebesse. E dei as costas depois de falar alguma coisa sem a menor criatividade, tipo "você já tocou?, porque eu tava morrendo de vergonha, com vergonha de ele me ver corar ou ouvir as batidas do meu coração. Que boba, me senti uma boba. Ainda mais porque não parecia uma boba, parecia uma pessoa blazé, dessas que eu odeio, que passam a noite com você e quando te vê de novo finge que não foi nada. Quem dera não ter sido nada. Não, ainda bem que foi tudo, mas agora eu não sei o que eu faço com as lembranças de uma manhã emendada numa tarde de dormir e acordar entre beijos, carinhos e sussurros, saliva e suor, sem pressa, sem vergonha, sem pretensão além de passar um momento ótimo e honesto, o cheiro que não sai do lençol e a imagem daqueles olhos cinzas que sorriem como os de crianças.

E aqui, tocando That's the way, do Led, me faz sentir um grande conforto. Porque apesar das minhas reações estúpidas de uma pessoa que na frente de um par de olhos cinzas, quase cava um buraco pra entrar de tão tímida, eu penso que estou hoje exatamente onde eu queria estar.

Estou à flor da pele, sentindo que o pulso ainda pulsa, que o coração sangra, que a cabeça dói e tudo isso é incrível, porque passei tanto tempo num torpor existencial, querendo mais, querendo viver o âmago da vida e sem viver e nem saber até.

Na trilha também tem uma música do Cat Stevens (The Wind) que eu adoro, tem Allman Brothers Band, puro roquenroll bem do jeito que eu gosto, tem Feel Flows do Beach Boys que é pura viagem com flautas maravilhosas, tem Thunderclap Newman, Simon and Garfunkel, e Todd Rundgren no melhor estilo antena um(este último principalmente). Não posso negar minha paixão pela Antena1 FM. Careta pra caramba, tem o tipo de música que me conforta na hora certa. É mais ou menos como aquelas músicas que a gente elege pra dormir, tipo Yo La Tengo, Gustavo Santaella e AIR.

Agora, com medo do que vou descobrir, vou voltar pras teorias de personalidade e talvez achar de onde veio essa minha súbita timidez que me invadiu quando os olhos cinzas olharam os olhos meus.

Deixo aí o Clarence Carter, só porque hoje eu vou dormir bem. Só comigo, mas muito bem.





quarta-feira

Bastardos Inglórios


Sempre que começa um burburinho de que tem filme novo do Tarantino rolando, a primeira coisa em que penso é: Oba! Tem trilha sonora das boas e sem dúvida vai ter Ennio Morricone!!

Adooooro os filmes do Tarantino e tanto quanto as trilhas que ele escolhe. Eu casaria com ele só pra passar a lua de mel ouvindo Ennio Morricone (exageraaaada...). Pra quem não sabe tem dele em todos os filmes do Tarantino (as do Kill Bill ficaram mais famosas), trilhou The Good, The Bad, The Ugly, Cinema Paradiso lindamente, Malena (perfeitoo), Era Uma Vez No Oeste...

Mas então, Bastardos Inglórios é totalmente do caralho. Os judeus matando os nazi à paulada, a heroína, magnífica e com um figurino impecável se chama Shosanna, Eli Roth foi a escolha perfeita, assim como Christopf Waltz.

Dá pra sacar como ele evoluiu como diretor. Tudo o que sempre foi bom está ainda melhor, com muito mais qualidade. Cenografia, iluminação, figurino, tomadas fudidas. Claro, parece que o orçamento foi maior também, isso ajuda, mas o cara tá fera.

Bradi Pitt, putz, não preciso nem falar mais nada. Depois que o vi no último dos irmãos Coen, já tava pagando um pauzão pra ele, mas agora...o cara mandou bem demais.

O roteiro é sensacional, puta idéia que, bravamente, deixou a academia sem jeito na indicação ao Oscar. Pra Tarantino isso é a glória, óbvio.

Agora, falando do que eu mais gosto: tem quatro faixas do Ennio Morricone(é a terceira vez que falo desse cara, mas, convenhamos, ele é demais) maravilhosas, tem David Bowe com Cat People, Jacques Loussier, The Film Studio Orchestra fabulosa, tem Billy Preston (Billy Preston!!!). Enfim, vou passar um tempo ouvindo!

E adivinha o que eu deixo pra vocês...






terça-feira

Amarcord (almoço entre amigos parte I)




Saudades daqueles domingos em que reuníamos amigos em casa para fazer um almoço, abrir um bom vinho e assistir algum filme cabeça.

E eu, que adoro trilhas sonoras para filmes e para minha própria vida, tinha sempre as minhas seleções para ocasiões especiais: seleção para ouvir na banheira, seleção pra transar, seleção pra dormir, seleção pré balada... A mais famosa ficou sendo a seleção "almoço entre amigos". Sempre muito elogiada, conta com scores de filmes e séries que adoro como Amélie Poulan, O Carteiro e o Poeta, Cinema Paradiso, Dexter, Diários de Motocicleta, Bicicletas de BelleVille, Amarcord, entre outros.

Hoje vou falar de Amarcord. Filme exuberante e encantador de Fellini, mostra a Itália dos aos 30, loucuras, bordéis, Mussolini e muitos elementos de outros filmes e da própria vida do Fellini, por se passar na cidade onde ele nasceu e integrar diversos elementos de sua infãncia, mistura cores e imaginação extremamente fértil através d o olhar de um garoto.

Absurdamente perfeitamente trilhado por Nino Rota, tem um dos scores que eu mais gosto de ouvir, principalmente durante agradáveis almoços entre amigos.

Nino Rota é geninho da música, consagradíssimo na Itália, começou a compor ainda criança. Responsável por 11 dos 15 scores de Poderoso Chegfão 2 - trilha premiada pelo Oscar - também trilhou Le Notti Bianche, La Dolce Vita e 8 1/2 (realmente ele encaixa direitinho com Fellini).

Música é mesmo do caralho. Sabe o que é mais curioso? Assisti Amarcord quando era bem pequena, pequena ao ponto de, depois de grande, não lembrar de mais uma cena sequer do filme. Mas nunca esqueci das músicas.

Um dia, tava comendo uma pizza na casa da Tati e ela colocou Amarcord, a música, pra tocar. Mil lembranças da minha infância voltaram aos meus olhos e pensava em nado sincronizado, Chanel n. 5, mulheres de chapéu em bailes no navio, até cenas do seriado Ilha da Fantasia(aquele do Tatu, lembra?) surgiam à minha frente. No dia seguinte tava lá, eu, vendo o filme de novo. Puro deleite.

Música é como cheiro: traz lembranças até do que a gente não viveu.





Closer




Assisti esse filme duas vezes e nas duas uma frase ficou na minha cabeça: "Por que o amor não é suficiente?". A personagem da Natalie Portman pergunta isso pro personagem do Jude Law na última vez em que eles se separam (ele se vai, na verdade). Isso me doeu tanto porque eu sempre pensei que "fundamental é mesmo o amor", mas de uma hora pra outra, o amor se transforma em mil e uma outras coisas e, mesmo sendo fundamental não é suficiente.

Um tempo atrás falei muito sobre o amor numa postagem sobre o filme Juno. É tão bom ter alguém que te faz pensar que fundamental é mesmo amor, alguém que te faz pensar que vocês dois são os personagens principais da sua história e que tudo e todos ao redor são o enredo e o cenário da história cujo curso são vocês que decidem e vai ter sempre um final feliz se houver amor, mas infelizmente não é bem assim. Às vezes só o amor não basta. Não basta porque o amor que a gente sente por nós mesmos tem que ser maior. Senão a gente vive dando o que não tem e pedindo o que não podem te dar.

Um amigo caiu do céu dia desses na minha cabeça e me fez voltar a pensar em coisas que eu estava empurrando pra baixo do tapete. Coisas que não têm explicação mas que não se pode deixar de pensar. Qual a medida do amor? Dá pra saber se há amor o suficiente para um relacionamento durar pra sempre? Pode um relacionamento durar pra sempre? As pessoas que envelhecem juntas apenas se acostumam umas às outras? Por que a gente não quer mais estar com alguém insubstituivel? Por que a gente prefere ficar sozinho à estar com a pessoa perfeita? Por que partir se ainda existe amor? Por que o amor não é suficiente? Por que só o amor não traz felicidade? E a pior das perguntas: por que não há explicação para todas essas perguntas?

Eu procuro encontrar consolo mais uma vez na máxima taoista de que nada é absolto. Que só há evolução no caos. Porque só pode ser uma grande necesidade de crescimento pra me fazer acreditar que tudo pode ser ainda melhor, mesmo que pra isso a casa caia.

Não basta amar: tem que saber amar. Tem que saber que você é a pessoa mais importante da sua própria vida e não relevar tanto tanto seu amor próprio em detrimento das necessidades do outro. O ser humano é um poço sem fundo e é assim porque tem fome. Tem fome do buraco de onde veio, do ventre da mãe insubstituível e tem fome porque a existência parece ser um fardo a ser carregado. Essa fome causada pelo abandono que é o nascimento existe porque a gente vive cercado de medo, de culpa e de apego. Medo de ficar sozinho, culpa por deixar a nossa felicidade sob a responsabilidade de outra pessoa e apego pelo outro em detrimento da nossa liberdade individual.

Eu tenho que entrar no mais profundo do meu ser pra enxergar o que só se pode ver na escuridão: meu próprio eu, que há tanto tempo se perdeu tentando se encontrar. Enquanto isso, eu vivo de luto, porque ainda não consegui transgredir o limite da mudança. Não consegui ainda aceitar que o que eu mesma escolhi deixar pra trás tem que ficar lá atrás e o agora é o dia mais importante da minha vida. Ainda não assumi que eu sou e estou aqui e agora. Mas esse dia vai chegar em breve. Preciso primeiro me livrar do medo, da culpa e do apego pra me sentir menos abandonada por mim mesma e fechar minha Gestalt.

Pra ouvir, nada de Damien Rice. fico com o Nando Reis, que descreve tão bem os sentimentos.

"Tornar o amor real é expulsá-lo de você pra que ele possa ser de alguém"


Chega de Saudade




Preciso começar logo as aulas de dança de salão pois já sei bem que quando estiver velhinha é na pista que vou me divertir.

Assisti esse filme no final do ano passado, numa fase difícil com mil e uma mudanças me assombrando e tava sensível pra caramba.

Foi bacana porque é um filme sobre relacionamentos, sobre o passar do tempo, sobre escolhas. Coisas que eu estava vivendo, no meu processo de mudanças, naquele momento.

Fala de um casal cujo relacionamento parece abalado pela intimidade da rotina que faz a gente esquecer que o outro tem um brilho no olhar que não pode morrer. Faz a gente esquecer que o respeito está nas pequenas coisas e o bem querer, o carinho e a gentileza também. Faz a gente esquecer que o mundo tá cheio de oportunidades, tá cheio daqueles que ainda enxergam o brilho que a gente tem no olhar, mesmo num olhar de ressaca, mesmo num olhar mareado, um riscado por um grão de sal.

E a mocinha do casal se vê no último lugar onde ela esperava encontrar outros tantos casais, feitos, desfeitos ou simplesmente pessoas à procura de amor, de emoção, de sexo, de parceria ou qualquer outra coisa que preencha a lacuna que o tempo um dia vai deixar ou já em todos nós: a solidão.

E o baile da saudade é simplesmente a vida pulsando por todos os poros, em lembranças, em afagos, em declarações de amor e de ódio, em confissões, em doenças, em máguas, em pesares, arrependimentos, desalentos, paixões avassaladoras, sorrisos, galanteios, furacões de emoção e a plenitude do amor.

Este é um filme dirigido por Laís Bodanzky, que também fez Bicho de Sete Cabças (cuja trilha também é ótima - ainda vou comentar) que me aqueceu o coração e me encheu de vontade de me matricular em aulas de dança de salão.

A trilha é tão bacana que foi lançada antes do filme pra já ir esquentando a galera. O roteirista Luiz Bolognesi conta também que primeiro trilhou o filme e depois foi pensar no elenco, na cenografia e tal.

A trilha ficou por conta do produtor musicalBiD, que fez uma longa pesquisa de campo pra saber o que o pessoal da terceira idade dança nesses clubes e descobriu que o repertório além de amplo é bem atual, como dá pra conferir no filme.

O toque de midas fica por conta das participações fundamentais de Elza Soares e Marku Ribas como cantores da banda Luar de Prata, arrasando em versões de "Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme", "Mulheres", "Você Não Vale Nada", "Cha Cha Cha" e por aí vai.

Tem samba, bolero, forró, gafieira, soltinho, samba-rock, salsa e tango pra ninguém ficar parado. Tudo isso embalando histórias e flash backs do personagens que fazem da mocinha uma espectadora da vida como ela é e a faz acreditar que a vida como ela é é ainda muito mais do que ela pode ser.

É sério: se joga nessa e não vai se arrepender.









domingo

Betty Blue


Betty Blue é um dos filmes mais tristes que eu já assisti. Só de ouvir a trilha já tenho vontade de chorar.

Com direção do Jean-Jacques Beineix, fala de uma louca, triste, impulsiva, doce, confusa e melindrosa Betty, que alucina a vida do apaixonado Zorg.

15 anos atrás me juntei com a Lídia num projeto que levaríamos prum festival de curtas(e não levamos) sobre o corpo, a música e o movimento. Levamos un sonzinho pra Praça da República, com uma fita K7 com a trilha desse filme, uma filmadora e um bando de apaixonados pelo happening (devidamete trajados) e dançamos Betty Blue de ponta a ponta aos olhos de hippies, mendigos e curiosos. Lídia, cadê eese filme, mulher??

A trilha, estupenda, me arranca lágrimas quando ouço Betty et Zorg e Cargo Voyage. É de autoria do Gabriel Yared, puta compositor, que trilhou também Camille Claudel, o Paciente Inglês, O Amante, A Vida dos Outros, Cidade os Anjos, entre outros.

Veja, ouça, se emocione.

Pequena Miss Sunshine




Com certeza já está no meu top 10!


Adooooro esse filme! Já vi várias vezes e em todoas eu rio, choro, me divirto tudo de novo.


O elenco é de matar: Abigail Breslin(coisa mais fofa do universo), Greg Kinnear(surpreendeu), Toni Collette(amoooo), Alan Arkin(não preciso falar nada), Steve Carell(variou e arasou) e Paul Dano(sempre figura) e o roteiro, que levou o Oscar, impagável!


O filme levou 5 anos pra ficar pronto, por falta de orçamento e, certamente, valeu cada centavo.
Cada vez que eu assisto, fico pensando como é bom ser diferente e respeitar as diferenças. Como é bom lutar por um sonho e deixar ele ir, sem máguas, quando a gente percebe que estava errado. Como é bom deixar o orgulho de lado e ajudar alguém a se descobrir, parar de lutar, a lutar mais um pouco, a ser feliz. Como é bom deixar o medo de lado pra ser feliz. Pra mim, esse é um filme sobre apego e desapego, coisas que eu venho trabalhando muito em mim ultimamente. Que vontade de assistir de novo!


A trilha, que ficou por conta de Mychael Danna e Devotchka, tem também Sufjan Stevens e Rick James com sua Superfreak na memorável cena da apresentação do Miss Sunshine.





Alfie


Súúúper filme de menina, água-com-açúcar, que eu adoro! rss


Com um dos maiores colírios do mundo, o deliciosérrimo Jude, Alfie fala de um cara tudo-de-bom de trinta e poucos anos cujo maior prazer na vida é pular de cama em cama.

Sedutor, apaixonante, estonteante, deixa suspiros e lágrimas por onde passa, até começar a pensar se a vida não seria melhor ao lado de uma só mulher. Bem que podia ser eu, né?


A trilha sonora é tão gostosa quanto o filme. Encabeçada pelo Mick Jagger - que eu também amo - mais romãntico do que nunca, tem também Joss Stone e Dave Stewart.


Pra ouvir a dois, claro!


A Cor Púrpura



Quem nunca viu A Cor Púrpura põe o dedo aqui.

Sim, o filme com a Woopi Goldberg sobre uma garota de 14 anos que é violentada pelo pai com quem tem duas filhas e depois é separada delas e da irmã, que é seu tesouro, e entregue a um tirano que a faz comer o pão que o diabo amassou. A moça que encontra o doce e o azedo da vida e faz a gente quase morrer de tanto chorar. O filme do Spielberg que foi indicado a 11 Oscars e não levo nenhum (ok, a gente sabe bem como funciona a academia).

Como é um filme batido, quero mesmo é falar da trilha. Simplesmente porque eu sou fã do Quincy Jones. Arranjador, produtor musical e compositor de trilhas sonoras, o cara é fera. Já foi agraciado com mais de 25 Grammys e produziu o maior sucesso de vendas de todos os tempos que foi o Trhiller do finado Michael e seu álbum(que poderia ter vendido tanto quanto se não fosse por viadagem de Michael) Of The Wall, que eu AMO, e Bad. Trabalhou com Ray Charles, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, teve sua própria Big Bang, se engajou em diversos projetos sociais... demais!

Em A Cor Púrpura ele arrasou na trilha com Jeremy Lubbock, Rod Temperton e Andraé Crouch. Tão tocante, tão vibrante, que se não fosse ela, o filme certamente não seria o que ele é. Sem contar a voz de Margaret Avery, que é de arrepiar a alma.

Celie's Blues é minha preferida. Taí!

sexta-feira

O Lutador




Anote este nome: Daren Arenofsk.


Diretor de Fonte da Vida, Pi e Requien Por Um Sonho, mais uma vez vai lá no fundo, naquele lugarzinho escuro dentro da gente onde só nós memos podemos e devemos chegar.

Daren Arenofsk devolveu a vida à Mickey Rourke mostrando o que ele faz de melhor. Sempre fui fã do cara e agora, assistindo a este filme, tenho certeza de que ele não devia ter ficado tanto tempo longe das telas. Mas, tá certo, o cara teve seus bons motivos, comeu o pão que o diabo amassou, mas felizmente tá sendo valorizado novamente.

O Lutador é um filme muito comovente, me tocou bastante. Conta a históia de um lutador de luta livre que teve seus momentos de glória nos anos 80 e hoje sobrevive da grana da luta - já não mais tão apreciada quanto outrora - e de bicos que faz no mercado da cidade.

Apaixonado por uma striper, muitíssimo bem interpretada pela fofa e linda Marisa Tomei, quer levar uma vida mais tranquila ao seu lado depois de sofrer um infarto durante uma luta agitada.

Randy tem que parar de lutar e percebe que o tempo está passando para todos. Seus amigos, que já foram ídolos do ringue, hoje estão acompanhados apenas por bengalas, óculos e aparelhos para surdez. Mas essa fase o faz se aproximar da filha que ele abandonou e repensar seus valores.

O toque de midas fica por conta da trilha sonora, com deliciosas e famosas canções do melhor do rock farofa, o Hard Rock dos anos 80. Pérolas dos Scorpions, Quiet Riot, Cinderella, Firehouse, Accept, entre outros, embalam nosso herói.

Segue o trailer ao som do Bruce Sprinsteen, que faz o tema de abertura.

Into The Wild



Cara, esse filme é um tiro no peito.


Dirigido pelo Sean Penn, narra a história verídica de Christopher McCanless, um jovem recém admitido na faculdade e inconformado com a futilidade das pessoas.



Avesso ao consumismo e fã de Lord Byron e Tolstoi, Chris acreditava que somente em comunhão com a natureza o homem pode encontrar a verdadeira felicidade. Em busca de seu sonho transcendente, abandona a faculdade logo no primeiro semestre, doa todo o dinheiro do curso à uma instituiçào de caridade e sai por aí rumo ao Alasca. Não diz à família seu paradeiro nem suas útimas palavras e assume nova identidade.


No caminho, queima seu carro e o resto do dinheiro. Faz belas amizades, deixa saudades por onde passa e a marca de suas convicções. Até chegar no Alasca faz esse percurso à pé, de trem, inúmeras caronas e até de caiaque.


Ao fundo, seu passado é narrado pela voz da irmã, que sofre de saudades. E suas emoções, narradas por Eddie Vedder numa trilha sonora encantadora, de arrepiar e derramar lágrimas, juntamente com a diva das cordas Kaki King e Michael Brook.


A fotogafia é maravilhosa, a interpretação de Emilie Hirsch é impecável e Sean Penn surpreendeu dirigindo este filme, baseado no livro homônimo do jornalista Jon Krakauer.


É de um lirismo melancólico que me fez passar dias com uma dorzinha no peito, uma vontade de chorar, lamentação e ódio de uma natureza tão impiedosa, tão wild.
Preparem os lenços.


Antes eu olhava pro Edie Vedder e tinha vontade de pular pelada em cima dele. Agora eu olho e tenho vontade de chorar. O cara teve a moral de trilhar esse filme tão lindamente, com tanta emoção que já virou meu tesourinho mais ainda.


Com vocês, Garanted.


Vicky Cristina Barcelona


Ah! La latinidad!


Quem me conhece bem sabe o quanto eu me indentifiquei com esse filme.


Sempre fui fã do Woody Allen e fiquei um tanto curiosa com os inúmeros comentários que ouvi antes de ver o filme sobre como não tem nada a ver com Woody Allen.
Como não? Só porque ele não aparece no filme, porque foi rodado num paiz latino, porque, porque...sei lá porque.

É súúúper Woody Allen! Tá cheio de coisas que só poderiam passar por uma cabecinha incrivelmente doente como a dele!


Cheio de gente linda e gostosa, esse filme é um verdadeiro colírio para os olhos. E melhor que Javier Bardem quase sempre quase nu, só mesmo um triângulo amoroso entre ele e minhas musas sexuais Scarlett Johansen e Penelope Cruz. Afe!


A trilha sonora tem tudo o que eu gosto de ouvir: Paco de Lucia, Emilio de Benito, Juan Serrano, Juan Quesada entre outras feras da guitarra flamenca.


Quem nunca se sentiu um pouco comedida, fervendo por dentro em suas fantasias como Vicky, aventureira e sem pudores como Cristina, completamente louca e impulsiva como Maria Helena ou não teve vontade de largar tudo e viver de amor com um pintor gatéééérrimo e interessantííííssimo em Barcelona?
Eu já. Eu sempre!


Pra recordar, Juan Serrano.


Paixão Suicida


De nome original "Wristcutters- A Love Sory", essa comédia com elenco de primeira (tem até meu queridíssimo Tom Waits)é simplesmente genial.


O roteiro bacanérrimo fala de um cara que corta os pulsos por uma garota e vai parar no purgatório dos suicidas. Lá ele decobre que sua ex também se matou, logo depois dele, e com a ajuda de dois novos e grandes amigos, sai em busca da dita cuja.

Amor, paranormalidade, filosofia pós-morte e uma trilha sonora impecável te levam a um mar de risadas e encantamentos junto à fotografia belíssima.
Vale a pena ver e ouvir.
Tá cheio dos piradões Gogol Bordello e Tom Waits nuns folks maneiríssimos, tem Joy Division e score muuuito legal de Bobby Johnson e Mushman. O tipo de som que não sai do meu I-Pobre.
Abaixo, Gogol Bordello num momento mais cool, na canção principal do filme.
Divirtam-se!





C.R.A.Z.Y.

"Eu calço é 37
Meu pai me dá 36
Dói mas no dia seguinte
Aperta o meu pé outra vez..."

Um filme praticamente narrado pela trilha sonora e determinado pelos principais acontecimentos culturais dos anos 60, 70 e 80, C.R.A.Z.Y. é um filme de amor. Loucos de amor.

Marcado pela crise existencial do terceiro filho de uma típica família canadense que tem seus conflitos sempre superados pelo incrível amor que sentem uns pelos outros.

Zac vive em crise por não conseguir assumir sua homossexualidade para a família, principalmente para o pai autoritário e, mais ainda, para si próprio. Ele carrega uma culpa do tamanho do mundo por achar que está sempre a decepcionar o pai, juntamente com seus conflitos religiosos espelhados na doce mãe e se pune sempre em detrimento de sua liberdade.

Ao som de Stones, muito David Bowie, Pink Floyd e Patsy Cline, os personagens têm seus perfis psicológicos brilhantemente construídos pelo diretor Jean-Marc Valée e nos trazem toda a ternura, o amor, o ódio, o perdão, as mágoas, as paixões, o caos e a reconstrução da família em forma de risos, choro, soluços e surpresas num excelente jogo de câmeras e interpretações formidáveis.

Um filme marcante, com fatos que seriam trágicos se não fossem cômicos e vice-versa, que mais uma vez leva o meu mote principal da existência humana: fundamental é mesmo o amor.

E mais: principalmente quando o assunto é família, fundamental também é o respeito. Mas este, muitas vezes, só vem com o tempo. O tempo da maturidade que faz a gente se ver e ver nossa família com outros olhos: os olhos do amor. Mais uma vez o amor.